DAI & Hipnoterapia

04/01/2019

Distúrbios autoimunes (DAI) - Doenças em que o sistema imunológico do corpo ataca células saudáveis.

Reconhecemos que temos um sistema imunológico (composto de células, tecidos, órgãos e moléculas) capaz de nos ajudar a manter nossa saúde ao retirar agentes estranhos do organismo, prevenindo e controlando infecções e adaptando o organismo a condições adversas que, de outro modo, nos promoveriam danos físicos.

Quando esse sistema imunológico falha, nosso sistema imunológico passa a identificar as próprias células saudáveis como ameaças e a tratá-las como elementos estranhos ao seu próprio ambiente.


O sistema imunológico usa seus glóbulos brancos para detectar e proteger o corpo contra antígenos nocivos - estes são substâncias potencialmente prejudiciais ligadas às células de outros organismos vivos, ou toxinas, fungos, vírus e alguns produtos químicos fabricados. Normalmente, quando o sistema imunológico detecta um antígeno nocivo, cria anticorpos para destruí-lo. No entanto, no caso de distúrbios autoimunes, por razões que ainda não são completamente compreendidas (embora haja alguma evidência de que possa haver um fator genético), o sistema imunológico não detecta a diferença entre nosso próprio tecido corporal saudável, e antígenos prejudiciais, e em vez disso ataca aquele tecido saudável causando problemas inflamatórios e doenças. Isso representa um desafio interessante para os Hipnoterapeutas, pois temos que reexaminar nosso tratamento usual da "doença" e da mente subconsciente.

[Marion Robb, Hipnoterapeuta, Conscious Choice Hypnosis]


De difícil identificação na apresentação de seus primeiros sintomas, as doenças autoimunes costumam figurar através de quadros de inflamações crônicas causadas pelo próprio sistema imunológico. De acordo com Peter J. Delves, PhD, Professor de Imunologia, da Divisão de Infecção e Imunidade, da Faculdade de Ciências Médicas (University College London, Londres, Reino Unido), os sintomas variam segundo a doença e a parte do corpo afetada. Algumas doenças autoimunes afetam determinados tipos de tecidos em todo o corpo, como os vasos sanguíneos, a cartilagem ou a pele. Existem outras doenças autoimunes que afetam um determinado órgão. Praticamente qualquer órgão, incluindo os rins, os pulmões, o coração e o cérebro, pode ser afetado. A inflamação decorrente e a lesão nos tecidos podem causar dor, deformações nas articulações, fraqueza, icterícia, prurido, dificuldade respiratória, acúmulo de líquido (edema), delírio e até a morte. Algumas doenças autoimunes desaparecem inexplicavelmente da mesma forma como aparecem. Entretanto, a maioria das doenças autoimunes é crônica.


Entre as mais de 150 diversas condições autoimunes conhecidas/catalogadas estão:

Diabetes tipo 1

Lúpus

Artrite reumatoide

Doença de Crohn

Esclerose múltipla

Vitiligo

Tireoidite de Hashimoto-HIPOTIREOIDISMO

Doença de Graves-HIPERTIREOIDISMO

Psoríase

Púrpura trombocitopênica idiopática-(PTI))

Hepatite autoimune

Síndrome de Guillain-Barré

Granulomatose de Wegener

Vasculites

Miastenia gravis

Doença celíaca-Enteropatia por glúten

Esclerodermia

Doença de Behçet

Anemia hemolítica autoimune

Cirrose biliar primária

Espondilite anquilosante.

Doença de Addison

Síndrome antifosfolipídica autoimune

Dermatite herpetiforme

Febre familiar do Mediterrâneo

Glomerulonefrite por IGA

Glomerulonefrite membranosa

Síndrome de Goodpasture

Síndrome miastênica de Lambert-Eaton

Oftalmia simpática

Penfigóide bolhoso poliendocrinopatias

Púrpura autoimune

Doença de Reiter tireoidite autoimune

Síndrome antifosfolipídica

Espondilite anquilosante

Retocolite ulcerativa

Síndrome de Churg-Strauss

Sarcoidose

Síndrome de Vog-Koyanagi-Harada

Alopecia Areata

Distúrbios autoimunes causam complicações como crescimento anormal de um órgão, ou vários, além da destruição de tecidos do corpo e alteração na função de órgãos físicos. Além disso, distúrbios autoimunes afetam vasos sanguíneos, tecidos conjuntivos, glândulas, articulações, músculos, pele e ossos em geral.

Junto a isso, doenças autoimunes prejudicam a funcionalidade individual causando confusão mental e emocional, diminuição da autoestima e até problemas de relacionamentos familiares.

Por serem doenças crônicas, não possuem exatamente cura, do ponto de vista científico, e a maioria delas é controlada com tratamentos que, uma vez diagnosticadas, envolvem medicamentos, mudança de dieta e também de terapias integrativas/complementares. Por aparecerem e desaparecem continuamente não há forma conhecida de prevenção.

O tratamento das doenças autoimunes se dão em torno da diminuição de tudo o que está relacionado ao estresse e, consequentemente, aos quadros de inflamação. Dessa forma, os tratamentos possuem relação particular com o diagnóstico de cada doença e, depois, da indicação de medicamentos, além da mudança da dieta e das práticas de medicina integrativa/complementar.

Em março/2018 a Revista Science (Vol. 359, Issue 6380, pp. 1156-1161) informou que Martin Kriegel entre outros pesquisadores da Universidade de Yale relacionaram as reações autoimunes a uma bactéria intestinal chamada Enterococcus gallinarum. Quando acionada, a bactéria migraria espontaneamente do intestino para outros órgãos do corpo, como baço, fígado e gânglios linfáticos. O estudo concluiu que o uso de antiobioticos ou uma vacina conseguiriam reduzir os sintomas inibindo o crescimento da Enterococcus gallinarum.

No entanto, o tema continua sendo um mistério do ponto de vista científico, já que as pesquisas são tímidas e os tratamentos propostos carecem de tempo para serem desenvolvidos e colocados em prática de modo a termos provas de sua eficácia.


Como a Hipnoterapia atua nos casos de distúrbios autoimunes?

Durante os últimos 40 anos, as pesquisas atuais trabalham no intuito de examinar o papel do sistema psiconeuroimunologico , assim como da atuação dos hormônios e neurotransmissores no envio de mensagens específicas do sistema nervoso central para o sistema imunológico. Pesquisas publicadas em periódicos como o American Journal of Clinical Hypnosis (Moshe S. Torem, North East Ohio Universities College of Medicine, Outubro/2007) postulam que o comportamento da doença (crônica) associado a uma infecção aguda pode, de fato, ser o resultado de uma comunicação do sistema imunológico para o cérebro que é adaptativa para a recuperação do organismo e para a sobrevivência geral. Eventos de vida, como perdas envolvendo as emoções do luto, tristeza e depressão, tipicamente produzem uma supressão do sistema imunológico e comprometem sua capacidade de mobilizar rapidamente uma resposta defensiva a bactérias, vírus ou fungos patogênicos. Por outro lado, é sabido que otimismo, exuberância, alegria e riso fortalecem o funcionamento do sistema imunológico, como apontado por Cousins (1976), Rossi (1993), Dreher (1995), Ravics (2000), e Charnetski e Brennan (2001).

A remoção do estresse é sempre o primeiro passo, junto com a elevação da autoestima e do trabalho em torno da compreensão do significado pessoal apresentado pela doença. Ao trabalhar com cada indivíduo respeitando sua singularidade, a Hipnoterapia busca livrar-se dos rótulos e de seu comportamento apresentado na maioria dos que se queixam dos mesmos sintomas visando ampliar a noção pessoal dessa individualidade a fim de que - visto como um processo - a doença "fale de si mesma" cumprindo seu papel e, desse modo, não se apresentando mais como tal.

Assim, trabalhando com o uso da imagética e das metáforas é possível redirecionar os anticorpos promovendo reorganização emocional, mental e, consequentemente, física.

Há casos em que se recorre à simulação da estrutura de cura trabalhando-se com viagens profundas para o interior do cliente/paciente e até com a chamada regressão atemporal buscando motivações para a expressão do eu interior diante das dificuldades apresentadas pela doença.

A Hipnoterapia trabalha a simbologia por trás da doença e, assim, é possível trabalhar na diminuição de dores relacionadas aos distúrbios autoimunes, além da contenção da progressão da expressão da doença, verificar a diminuição e até mesmo o desaparecimento da doença - sempre e através do fortalecimento do sistema imunológico pessoal.

Ainda de acordo com o mesmo estudo apresentado no American Journal of Clinical Hypnosis (Moshe S. Torem, North East Ohio Universities College of Medicine, Outubro/2007), dor e desconforto associados a doenças autoimunes podem ser aliviados com a Hipnoterapia com bons resultados como relatado por Van Pelt (1961), Millilkin (1964), Crasilneck, e Halll (1975), Kroger e Fezler (1976), Smith e Balaban (1983).

H.R.Hall, em 'Hypnosis and the immune system: A review with implication for cancer and the psychology of healing. American Journal of Clinical Hypnosis, 25:92-10' faz uma revisão abrangente sobre os efeitos da hipnose no sistema imunológico. Ele se concentrou em dados que forneceram evidências sugestivas de que a hipnose pode inibir ou melhorar a atividade imunológica e, consequentemente, contribuir para enfraquecer ou fortalecer a resistência ao início da, ou a melhora na recuperação da, doença.

E.L.Rossi, em Mind-body therapy. New York: W.W. Norton & Company, Inc.(1988) tem escrito extensivmente (1986, 1988, 1990, 1993) sobre os vários mecanismos pelos quais a mente se comunica com o sistema imunológico e como o uso da hipnose pode atuar como uma ajuda terapêutica na recuperação de pacientes que sofrem de distúrbios autoimunes. Segundo Rossi, quando os pacientes entram no estado hipnótico, pode comunicar-se com a mente inconsciente e falar diretamente aos tecidos e células usando o linguagem da imagem com todos os cinco sentidos.

Laidlaw, Booth e Large (1996) mostraram que 32 dos 38 participantes de experimentos hipnóticos foram capazes de reduzir o tamanho da pápula seguindo uma sugestão hipnótica para fazê-lo. Além disso, a hipnose pode ser usada como um modulador da desregulação imune celular e mudar a resistência ou susceptibilidade ao início da doença (Kiecolot-Glaser, Marucha, Atkinson, & Glaser, 2001; Kiecolt-Glaser, McGuire, Robles, Glaser, 2002a; Kiecolt-Glaser, McGuire, Robles, Glaser, 2002b; Glaser & Kiecolt-Glaser, 2005).

Esses enunciados são apenas alguns dos tantos estudos em torno da Hipnoterapia como ferramenta de eficácia e resultados positivos quando utilizada para o tratamento das chamadas doenças autoimunes.

Fato é que o que dizemos (temos a capacidade de nos curar) encontra justificativa dentro da Hipnoterapia, pois através dela ampliamos nossas condições - naturais, mas que necessitam de ativação - de nos comunicar conosco mesmos e fazermos valer nosso desejo de termos...mens sana in corpore sano.