Hipnoterapia e o Exercício das Palavras

10/05/2018

Muitas vezes ouvimos - e até lemos - que a palavra tem poder. Para tanto utilizamos a noção do "fiat lux" (faça-se a luz) evocando, geralmente num contexto místico/religioso, a criação do planeta através da palavra.

No entanto, bem poucos percebem que a palavra...oh, sim, tem um poder imenso, pois criador e mantenedor de realidades pessoais nem sempre obvias para a maioria.

Esse é um exercício para avançados...

E você pode ficar repetindo inúmeras vezes o mantra fiat lux, ou até mesmo o faça-se a luz, ou qualquer outro aliás, interrompendo a prática por não perceber que é a continuidade que gera o resultado eficaz.

O mesmo se dá com orações, rezas, mantras, cânticos, etc.

Por trás de cada sentença há um código vibracional pessoal que funciona como uma chave que lhe abre um portal energético, intencional.

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

Funcionando como uma prática de percepção extrassensória, a repetição de uma sentença - mesmo que formada por uma só palavra, mas, por ser repleta de significado, se transveste em sentença, pois uma ordem - possui a capacidade de lhe abrir caminhos interiores que lhe fazem compreender significados, histórias, correlacionamentos e, enfim, uma unidade de poder pessoal que, dependendo da intenção inicial, lhe traz exatamente o que você deseja em seu ambiente físico.

É um fenômeno da vida pelo qual todos somos cercados.

Geradoras de energia pessoal, as palavras são códigos que podem dizer sem dizer explicitamente, que podem lhe fazer mergulhar em estados pessoais chamados de místicos e até elevar - ou destruir - estados de ânimos internos que lhe colocam - ou lhe nocauteiam - no caminho da realização pessoal.

O estudo de alguns idiomas antigos, muitos já inexistentes em nosso planeta, nos mostram que podemos dizer muitas coisas com uma única palavra. No entanto, nosso idioma, engessado, ainda se vale de um imenso trabalho quando desejamos montar uma mensagem que implique na transmissão de um único sentimento - seja o de consolo, de animo, de tristeza, ou de qualquer outro sentimento expressado.

Esse é um exercício para intermediários...

Eu me recordo de algumas palavras ditas por meus antigos (pais, avós, anciões com quem convivi) que somente em suas bocas tinham o mesmo sabor. Sim, palavras possuem sabores. E texturas. E movimentos. As letras são caracteres vivos que, quando transformados em sons vocais, se vestem de mais vitalidade no repasse de impulsos dos quais muitas vezes necessitamos para seguir caminho pessoal.

Na verdade, se pensarmos bem, toda a vida está repleta de palavras...as cachoeiras falam, e cada uma possui sua particularidade, dependendo do modo como interpretamos. E nem a isso prestamos muita atenção em nosso dia a dia. Atabalhoados pela lide diária, nem sempre percebemos o barulho do chinelo de um ente querido cantando pela casa, ou da lembrança de um tapa que, se vinha, vinha visando educação, formação pessoal.

Ouvimos os pássaros e geralmente atinamos apenas para a singularidade em cada espécie canora. Mas, o que cada um diz?

Em certas manhãs, gosto de passar por uma rua próxima à minha casa, que abriga uma árvore em cujos ramos se abrigam pequenos pássaros. Nas primeiras horas da manhã estão chilreando uns com os outros e me pego a pensar se estão contando as novidades, como seres humanos fazem quando se encontram e falam a respeito de seus filmes, novelas ou acontecimentos ocorridos no dia anterior.

Gosto de pensar também que de manhã essa árvore se torna uma árvore de pássaros. Pois penso em como as árvores se sentem ao servir de palco para a tagarelice daqueles pássaros.

As arvores falam, os animais falam, os rios falam, as pedras falam, os seres humanos falam. Mas...o que falam? Como falam?

Quando articulo algumas palavras nas sessões de Hipnoterapia costumo pensar em como as emito...e em como meus clientes as recebem, mergulhados no transe hipnoterápico que testemunha suas mentes conversando com a minha através de símbolos, exercícios a serem pensados, resolvidos e transformados em comportamentos que passarão a expressar dali em diante.

Vez ou outra, quando penso no poder das palavras, sei que não são as palavras de fato que fazem horríveis estardalhaços ou alegres piruetas, mas a forma como as compomos e as emoções que a elas impingimos. Pois que muitas vezes, mesmo ralhando conosco, nossos pais, tios ou tutores, costumavam transmitir sensações de cuidados. Um que os ouvisse poderia - malgrado o ajuizamento do valor - entender que se ofendia, sem perceber que através do ralho pode-se cobrir alguém de amor.

A mesma coisa quando um sujeito 'A' diz uma piada que, na boca do sujeito 'B', se torna inesquecivelmente engraçada.

Até mesmo um palavrão, palavra conhecida culturalmente como mensagem de baixo calão, quando saída dos lábios daquele que é resolvido consigo mesmo, que utiliza o vocábulo como forma de expressar uma intenção ou movimento que empurra o ato para a realização positiva, se torna doce, um chamado. Tão diferente quando sai dos lábios de quem não tem nada a dizer porque está deitado há muito tempo em andrajos de autonegação e desprezo por tudo o que poderia ser significado como empuxo para o movimento...pelas palavras.

O que promove a elevação é o entendimento interior que transforma - quase sem pensar - a palavra em som, mais que música, em sinfonia carregada de sentido.

É o sentido que dá às palavras o poder que elas decerto têm. É desse sentido que falamos quando falamos que a palavra tem o poder que só sabe quem conhece a própria vida diante da observação das palavras que tem pronunciado. E somente aí podemos entender que o mesmo é válido para o poder do silêncio.

Palavras à solta, silêncio amarrado...tudo isso conduz a um caminho desordenado.

O sentido é o impulso vivo com o qual todos nascemos. Perfeitos.

Esse é um exercício para iniciantes...

Quando fechamos os olhos, numa sessão hipnoterápica ou não, é possível ver que todos somos perfeitos, que perfeita é toda a vida. E que conforme vamos tingindo nossos vocábulos de 'endireitamento', também vamos criando a pureza de intenção, o alinhamento que nos objetiva na direção do que queremos.

Comprovado cientificamente, ou não, é possível perceber - através da experienciação que existem estados que só podem ser atingidos mediante o mergulho pessoal em nossos balbucios, expressando dores, preocupações, alívios e gozos. Há barulhos que só a alma pode entender.

Experimente recolher-se, aquietar-se, permitir que o mundo concreto se transforme em abstrato, de modo que quando os sons emergirem, você os consiga soltar...em gemidos, sofrimentos, reorganizações e recomeços. Mais que uma terapia solitária, o soltar-se em palavras lhe coloca diante dos substratos que lhe compõem e com esse material você poderá formar novos sons, novos significados...

E em sua rotina diária, vá reportando-se à qualidade das palavras versus qualidade de sua vida. Decerto você sentirá o alinhamento, a intenção que surge pronta de sua mente pulando para a realidade física e daí....você entenderá que a palavra tem poder...você compreenderá do que falo. E estará pronto para o exercício dos avançados.