Hipnoterapia vs relacionamento amoroso

03/07/2018

Amor é algo que desejo do outro? Ou amor seria o que desejo de mim estando com o outro? Você já pensou nisso?

Muitos de nós julgamos o amor conjugal de formas diferentes. No entanto, amor se aprende amando, sentindo, refletindo, pensando...sobre nós mesmos, sobre o que queremos...de nós mesmos num relacionamento. Desse modo, amor é algo que implica em eu saber o que desejo de mim quando estou com alguém. Não o que quero em alguém sem pensar no que desejo de mim.

É comum vermos pessoas que reclamam de seus relacionamentos afetivos decididos a projetar no outro o que desejam de si mesmos e que, portanto, é impossível encontrar no outro. Sempre será.

Todos estamos buscando o amor perfeito, mas o amor perfeito nasce do pensamento que temos do que seria o amor perfeito. Logo, só o podemos encontrar na manifestação de quem somos.

Não existem receitas para o amor. Mesmo porque, quando dizemos que fulano e fulana vivem/viveram juntos por 10, 20, 30...anos, e que gostaríamos de ter um relacionamento desse tipo, o que estamos dizendo é que gostaríamos de fazer acordos, ainda que implícitos, de sermos pacientes, amorosos, respeitosos, etc. É isso o que há num relacionamento de mais de xis anos. E só conseguimos isso se trabalharmos esses elementos em nós mesmos.

Você tem paciência consigo?

Você é amoroso consigo?

Você é respeito consigo mesmo?

Você...etc. consigo mesmo?

Ou você vive esperando que o outro tenha paciência com você, que o outro seja amoroso com você, que o outro tenha respeito com você, que o outro tenha ou seja etc. com você?

Somos universos singulares e complexos. Não há como desejar que o outro perca a própria naturalidade para ser o seu robô. Assim, o ideal é nos voltarmos para nós mesmos, ampliar nossa conceitualização sobre o amor para conosco mesmos e, aí sim, teremos condições de amar o outro e, consequentemente, manifestar o amor desejado.

Você tem condições de amar?

Pergunte-se.

O que é ter condições de amar?

De modo simples, isso significa: eu confio em que vou encontrar o parceiro, ou parceira, ideal e por isso não vou me sujeitar a dar a mim o que acredito que não mereço.

Parece simples, não é?

Não é.

Ter condições de amar alguém nasce da condição que devemos ter de amar a nós mesmos. Ao aprender a lidar conosco, com nossas crenças, conceitos e pensamentos repetidos inconscientemente, aprendemos a lidar com esse ser insatisfeito que somos e só nesse caso é possível amarmos sem reservas aceitando que o outro seja o que quero ser. Não há outra forma de aprender a lidar com os anseios que são seus, não do outro. E o outro, se estiver reclamando do relacionamento que tem com você, terá que fazer o mesmo. Pois é através do autoconhecimento - em constante mutação - que conseguimos manifestar um relacionamento amoroso equilibrado, romântico, duradouro.


Não tenho a receita para o amor, tenho experiência pessoal baseada nesses conceitos, conceitos esses ampliados ao longo da própria experiência. Filha de pais problemáticos, desde muito cedo aprendi que amor é comunicação e interatividade, ainda que serena, pois o outro não tem o mesmo ritmo que o meu. E vice-versa. E por aprender que o que me içava era a comunicação, a interatividade, aportei no segundo casamento cônscia do que desejava para a minha vida amorosa e disposta a contribuir comigo mesma a fim de que meu segundo casamento fosse o que eu desejava. E assim, após 15 anos conjugais, mais consciência tenho de que, se não faço a minha parte para comigo mesma, não há como continuar estendendo esse relacionamento vida afora. Portanto, ao trabalhar com questões de insatisfação amorosa/conjugal, busco pedir a meu cliente que pense relacionamento pensando a si mesmo, não pensando o outro ou o que é suposto ter de si+o outro. E aí o trabalho começa. 

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)

O que é relacionamento?

Uma troca que parte da harmonia que tenho comigo a fim de conseguir estender essa harmonia ao outro.

Ao trabalharmos as questões pessoais conseguimos entender a humanidade individual - a minha e a do outro. E somente assim conseguimos perceber que o outro é um universo à parte enquanto eu mesmo (a) continuarei sendo um universo à parte.

Pessoas que se entregam a questões passionais vivenciando a mistura do amor com dor experienciam esse processo morosamente durante anos, às vezes uma vida inteira, estendendo esse comportamento para outras áreas de sua vida que, aparentemente, não têm relação com o amor. Mas, têm.

Todas as áreas de nossa vida estão inter-relacionadas. E cabe a cada um de nós sair do emaranhado onde nos metemos à guisa da maturidade que buscamos como fenômeno natural da evolução pessoal. E nesse processo é necessário clarear os conceitos, elucidar sentimentos e abrir mão da autoproteção em excesso a fim de nos enxergarmos como realmente somos entendendo o que realmente desejamos. Sem culpas, sem vitimismo, sem passividade.

A Hipnoterapia nos possibilita a compreensão do próprio papel numa relação afetiva exatamente porque, numa sessão hipnoterápica, podemos alcançar nossas motivações mais profundas nos permitindo dar a nós mesmos o que acreditamos que só o outro conseguiria.


Um trabalho de reorganização pessoal 

O Sr.Xis é um de meus clientes que não sabia lidar com sua carência emocional. Vindo de dois casamentos interrompidos, sofrendo as dores do abandono, iniciou um processo de autonegação que lhe promoveu problemas físicos de saúde, além de insegurança financeira. Sentia-se impotente. Conforme suas sessões foram ocorrendo, conseguiu sentir-se mais equilibrado, percebendo que as dores fabricadas não eram o que ele era. Ao conseguir separar as emoções - separadas de quem ele realmente era - e ao perceber que emoções são sensações que nos permitimos criar e alimentar, o Sr.Xis conseguiu começar a estabelecer uma relação mais saudável consigo mesmo e, consequentemente, com sua namorada atual, de modo que ela começasse a perceber nele uma pessoa que se conhecia e o que ele queria dele mesmo dentro de um relacionamento. Junto com essa questão, o Sr. Xis começou a recobrar sua autoconfiança, a sanar sua antiga impotência e a recuperar sua base financeira,  além de minorar suas dificuldades físicas, reconhecendo-se como o ser capaz que todos temos condições de ser.

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)

Novamente, você tem condições de amar?

Ao longo de nossa vida vamos nos imbuindo de recursos próprios que são alcançados geralmente com a maturidade biológica, ou às custas de sofrimentos desnecessários, que nos capacitam a exercer o ato do amor por nós mesmos. Esses recursos podem ser elucidados através das diversas terapias que temos à nossa disposição, terapias que buscam uma perspectiva a partir da qual trabalhar o tema 'amor'. A Hipnoterapia, reconhecida como terapia breve, ao ser conduzida por profissional competente, facilita esse processo se essa for sua questão pessoal. Ou isso, ou aprender (geralmente aos "trancos e barrancos") que é isso.

Merecemos dar uma chance a nós mesmos na concretização de uma parceria amorosa. É um presente que nos damos por merecermos, por sermos seres inteligentes, criativos, bem-sucedidos. E não temos que desistir da busca do amor preferindo alimentar decepções pessoais projetadas naqueles com quem tentamos ter relacionamentos que não responderam positivamente simplesmente porque esperávamos do outro algo que só nós mesmos poderíamos nos dar. E, nessa busca, podemos afastar as distorções do caminho, desobrigando o outro da felicidade que só nós mesmos temos condições de nos oferecer.