Hipnoterapia personalizada vs Hipnose generalizada

01/08/2018

Qual é a diferença entre ter um tratamento hipnoterápico personalizado e escutar um áudio encontrado na Internet ou até mesmo em sessões de hipnose para grupos?


Personalização, um grande potencial

Baseada na singularidade de cada pessoa, a Hipnoterapia personalizada aborda características pessoais que apenas os Hipnoterapeutas treinados conseguem distinguir através dos perfis de seus clientes.

Trabalhar com um nutricionista, por exemplo, que diferencia perfis, levando em consideração hábitos e necessidades nutricionais é bem diferente de utilizar uma receita destinada a um público geral que muitas vezes desorganiza seu sistema orgânico na inclusão de alimentos que seu organismo não toleraria.

Ter um profissional interessado em seu histórico de vida pessoal facilita o processo terápico, pois ele trabalha com ferramentas e técnicas destinadas a seus interesses, visando o início e continuidade de um trabalho que lhe integraliza, podendo, inclusive, ajustar outras áreas em sua vida que não apenas aquela que inicialmente você acreditava ser a problemática.

É comum dizemos "sou assim, tenho esse problema específico, porque sofri esse tipo de situação". Mas, quando você consulta um profissional experiente, ele entende que seu perfil elabora situações como a que você está vivendo de modos determinados. Dessa forma, o profissional trabalhará não no problema que você acredita que tem, mas numa perspectiva pessoal que lhe ajude a perceber que sua questão era apenas a forma como você interpretava aquela situação.


O Sr. X, um de meus clientes hipnoterápicos, estava com problemas de depressão, ansiedade, estresse. Por conta disso, percebia-se indisciplinado e desorganizado com seus horários e projetos profissionais. Resultado: diminuição de sua renda financeira mensal. Ao tratar dessas questões através da Hipnoterapia foi possível identificarmos que ele estava passando por uma transição biológica onde fragmentos emocionais não alocados ao longo de sua vida - lutos, relacionamentos amorosos interrompidos, oportunidades não aproveitadas - estavam surgindo e careciam do acolhimento pelo qual não passaram ao longo de sua jornada pessoal. Numa regressão temporal - dentro da linha de tempo da vida física - foi possível identificar várias necessidades amorosas não vivenciadas em sua inteireza. E após essa regressão, todas as compreensões encontraram lugar no universo emocional, propiciando maturidade e ajuste de personalidade. Resultado: dissolução do reflexo depressivo, da ansiedade e do estresse, fazendo com que as atividades profissionais fluíssem como esperadas e ganho financeiro restabelecido.

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta) 

Logicamente, numa sessão hipnoterápica generalizada, a pessoa não conseguirá aprofundar-se tanto em seus próprios elementos criativos a fim de entender-se de modo mais ampliado e acompanhar-se num processo objetivo de ganho contínuo.


O olhar terapêutico

Como se chega a esse tipo de compreensão? Através do olhar terapêutico de quem está habituado a explorar a complexidade delicada da natureza humana. Termos como "criança interior", "alma", "aspirações", etc., entram no escopo quando se trata de aprofundar-nos na sensibilidade do que compõe o ser humano. Mas, bem poucos se aprofundam no significado emocional e psíquico desses termos. Além disso, a análise do caminho individual, suas fases e inclinações, também ajudam o terapeuta a ampliar o entendimento da individualidade. Essas análises surgem da espontaneidade treinada do terapeuta no entendimento de que todos somos seres singulares formando uma ampla rede de relacionamentos implícitos. Todos estamos conectados e os diversos saberes a que esse profissional tem acesso lhe mostram que num ambiente orgânico - o humano, terreno - não há como manter posições de julgamento onde ele se diferencie dos demais. É nesse momento que o terapeuta assume o papel de curador, aquele que não acredita no problema, a fim de lidar com ele. Pois, é necessário se assenhorar de uma questão a fim de poder dominá-la (Joe Dispenza, Tornando-se Sobrenatural). Não que o terapeuta cure de fato, haja posto que temos o poder da autocura, facilitado a partir da orientação não preconceituosa do terapeuta - se o terapeuta acredita num problema, claramente haverá duas pessoas precisando de um bom terapeuta. O terapeuta e seu cliente.

Esse papel da cura merece uma análise mais cuidadosa dentro da Hipnoterapia.

Em nossa cultura, a palavra 'cura' é quase um tabu. Simplesmente por ser compreendida de modo rígido.

Em inglês temos duas palavras para cura. 'Healing' e 'Cure'.

Usadas de modo intercambiável, a diferença entre uma e outra é enorme. Enquanto 'cura'r está relacionada a restaurar a saúde, à ausência de sintomas e a remédios para doenças, a palavra 'healing' está relacionada à totalidade.

A palavra 'healing' não está relacionada à cessão ou remoção de sintomas, mas a um processo integrativo que transcende o físico, incluindo o mental, o emocional, a vitalidade psíquica e ao bem-estar. E daí a cessão dos sintomas. A palavra 'healing' atende a um processo, enquanto a palavra 'cure' atende a um mecanismo final em si mesmo.

(Maria Mooney, Mindbodygreen)

A cura relacionada à Hipnoterapia responde ao processo do healing. Ou seja, implica em correlacionamentos, desenvolvimento, desdobramento, investigação de elementos pessoais psíquicos e emocionais.

A medicina vibracional, ramificação - ainda que implícita - da medicina tradicional, traz à luz os cuidados para com a saúde a partir de uma abordagem holística e psíquica que proporciona significação e compreensões pessoais facilitadoras da cura (no sentido de 'healing'). É nessa área que a Hipnoterapia atua, valendo-se da organização de elementos emocionais pessoais, ocorrida através do processo reflexivo que, por sua vez, ocorre nas instâncias mentais pessoais a partir de um tratamento hipnoterápico.

Quando escolhemos um tratamento generalizado, por sua vez, questões superficiais passam por alívios temporários, como que empurrados - pois não aprofundados e não orientados nos caminhos pelos quais nos conduzem - para outras instâncias que permanecem no aguardo de soluções mais eficazes, reaparecendo eventualmente vestidos de justificativas que somente um terapeuta conseguirá identificar.

Assim, a diferença entre uma sessão personalizada e uma sessão generalizada de Hipnose está naquilo que consideramos individual em sua essência mais básica. Se nos consideramos pessoas especiais - e todos o somos - saberemos que somos mais ricos, em termos de complexidade, do que a generalização nos induz crer. E nossa escolha sobre nossos processos curativos e terapêuticos passará obrigatoriamente pela personalização