Hipnoterapia vs Apatia

20/09/2018

"Estado caracterizado pelo desinteresse geral, pela indiferença ou insensibilidade aos acontecimentos; falta de interesse ou de desejos".

(Luís Rey. 'Dicionário de termos técnicos de medicina e saúde' Ed. Guanabara Koogan S.A., 1999)


Falta de emoção, falta de entusiasmo, indiferença. Eis como é caracterizada a apatia, um estado em que passamos a não responder aos estímulos da vida emocional e/ou social.

Responsável por levar o indivíduo à depressão em nível moderado, a apatia é um transtorno psíquico que reflete a dissociação da pessoa para com a dinâmica da vida ao seu redor.


Ninguém é responsável pelo modo como nos sentimos exceto nós mesmos - que escolhemos continuar sentindo como sentimos

Você pode dizer que a economia vai mal, que o amado se foi, que uma doença se instalou, que...as justificativas - e válidas - são muitas, mas fato é que alguns estados emocionais nos levam a problemas psíquicos em seu estancamento/acolhimento exacerbado, na perda de energia pessoal e até a doenças físicas. Nesse momento dizemos que as doenças são psicossomáticas (desequilíbrios da psique/alma expressas no tecido/corpo físico).

Geralmente, quando defendemos esses estados emocionais para os quais nos inclinamos e comumente utilizando justificativas válidas (válidas porque seus argumentos são pertinentes em termos lógicos/cerebrais) tendemos a abraçar o resultado dessas emoções como características de nossa personalidade quando na verdade a única característica da personalidade é estar escolhendo uma emoção sentida, alimentada, mantida.


Qual é o estado natural de uma pessoa? O da felicidade.

E o que é felicidade? É - basicamente - conhecer-se e saber que podemos escolher um estado emocional que não nos cause problemas psíquicos e/ou físicos.

Parece simples, não?

Não é.

Não é porque questões físicas também podem gerar a (não) emoção da apatia, como esquizofrenia, Parkinson,  demências, má alimentação, problemas relativos a sono, distúrbios glandulares e até falta de exercício físico.

Optar por qualidade de vida é essencial para nos mantermos distantes de quadros emocionais danosos.

E a qualidade de vida indicada - como diriam nossos antigos - está bastante relacionada a desfrutarmos de bons relacionamentos, pessoas que nos apoiam, entreter objetivos, privilegiar vida ao ar livre, alimentos simples e situações sociais saudáveis.

Observar nosso nível de frustração diante de objetivos pessoais não realizados (ainda); a quantidade de tempo que passamos diante de programas de televisão, jogos, etc. - por falta do que fazer; falta de foco; desorganização ou procrastinação; respostas curtas sem envolvimento emocional à interação social de outras pessoas; ser pessimista dizendo que se é apenas realista; falta de esperança no futuro (que ainda não aconteceu) como se soubéssemos que ele será do jeito que esperamos que seja por conta do que pensamos que o presente é; são situações a serem observadas quando se trata de percebermos o nível de apatia.


Depois de ter tido o segundo filho, ela percebeu que sua vida não tinha mais sentido. Optou por não trabalhar fora a fim de cuidar do filho adolescente e do bebê que havia chegado. Passava os dias amamentando, cuidando da casa, diante da televisão. A qualidade de seu relacionamento conjugal diminuiu bastante e sua rotina diária tornou-se estreita. Deixou de fazer seus trabalhos artesanais, de se envolver com amigos, preferindo envolver-se com pessoas que tinham o mesmo tipo de vida doméstica. Aos poucos percebeu-se distante do movimento, do dinamismo. A Hipnoterapia foi a ferramenta utilizada para validar a realidade que ela havia escolhido e que poderia ser vivenciada com alegria e movimento. Em dois meses de tratamento percebeu-se mais entusiasmada, resgatando o romantismo e encanto pela vida, melhorando a qualidade de seu relacionamento marital, organizando melhor suas atividades domésticas e elaborando projetos que poderiam ser realizados mesmo tendo optado por não trabalhar fora.

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)


A apatia causa estragos. Além de fazer com que as pessoas se afastem de nós, enquanto nós mesmos nos afastamos delas, ainda gera cansaço - físico e mental - à medida que nos entregamos à vivenciação de um estado emocional circular. Ela é também responsável pelo aumento da procrastinação e consequente perda de sentido para nossa vida, nos trazendo depressão, confusão mental e até problemas físicos. 

Torna-se, portanto, essencial ajudarmos a nós mesmos, seja de modo direto ou indireto - quando buscamos ajuda terapêutica e até espiritual (para aqueles que mantêm fé religiosa) no sentido de ativar a fé e a esperança).

A mudança de rotina, sair da zona de conforto, realizando coisas simples e atípicas como leituras, escutar músicas, cuidar de um bichinho de estimação, entrosamento social, etc., podem ajudar a sair da apatia. Buscar ajuda terapêutica, como a Hipnoterapia, por exemplo, pode ser de grande valor no resgate de um estado emocional e físico mais produtivo.

É importante analisar quem você é, do que gosta, aquilo pelo qual se interessa e investir em seus atributos e potenciais.

Vida tem que fazer sentido. E somos nós os responsáveis para tanto. Através de nossas escolhas. Pequeninas que sejam. No entanto, todas elas são válidas. Afinal, novamente, como diriam nossos antigos, um castelo começa a ser construído a partir de um tijolo.


Como a Hipnoterapia trabalha a apatia?

Cada um de nós tem seu próprio movimento, seu próprio estado de ser. E fases apáticas podem servir a uma reanálise de nossos próprios ganhos, como uma época em que processamos aprendizados e experiências pessoais, servindo também para amadurecermos. A apatia, portanto, depende de identificação cuidadosa e da retomada do movimento. 

O resgate do lúdico faz parte do trabalho hipnoterápico. Colocando a pessoa em contato com seus valores mais inocentes e originais, o Hipnoterapeuta leva seu cliente/paciente a despertar elementos relacionados à autovalorização, autoconfiança, amor próprio e disposição para a arquitetura de planos/objetivos que, se não foram ainda alcançados, estão à disposição para serem realizados dentro das condições pertinentes atuais.

O profissional Hipnoterapeuta acompanha o progresso de seu cliente/paciente enquanto a terapia está em ocorrência, de forma a estruturar o quadro emocional e físico que surge do trabalho realizado ajudando-o a ler sua experiência de vida de modo positivo. Cada progresso conta. É necessário percebermos isso. Com terapia ou sem terapia.