Hipnoterapia vs Autoajuda

14/06/2018

Nos últimos 30 anos tornou-se hábito recorrermos a livros que têm por meta nos ajudar a... nos ajudar emocionalmente. Esses livros atendem ao "how to do" (como fazer) norte-americano que entende - por exemplo - que mesmo sendo um bom ferreiro, podemos ser bons madeireiros.

Seguindo esse contexto, de ferreiro versus madeireiro, no processo de autoajuda, um madeireiro ensina a uma pessoa comum a trabalhar com madeira. E a pessoa, trabalhando com ferro, absorve os conceitos de quem trabalha com madeira e, no meio do caminho, embora angarie noções básicas para trabalhar com madeira, comete muitas incongruências que seriam evitadas se ela buscasse a ajuda de um profissional da área ao invés de apenas se limitar aos conceitos literários.

Eis a importância de tratar a mente - ou qualquer outro elemento - com alguém que trabalha nesse oficio, que é versado - em função de sua experiência prática - no entender como funciona aquilo com o qual ele trabalha, nesse caso a mente humana.

Os livros de autoajuda são uma versão mais popular dos livros que citam o poder da mente centrados no jargão 'mind matters' (a mente importa, ou um trocadilho entre mente versus matéria implicando em que tudo o que é matéria física se origina do poder mental).

Escritos por pessoas que têm mais facilidade de lidar com questões emocionais pessoais a partir de perspectivas próprias desenvolvidas no fogo da experiência, muitos desses livros trazem opiniões pessoais que geralmente não levam em consideração elementos de ordem mais profunda deixando de lado questões socioculturais individuais que estão presentes em nossos processos emocionais e até físicos.

É comum lermos materiais que citam a necessidade, por exemplo, de colocarmos de lado o ego para resolvermos nossos desafios diários, sem levar em consideração que o ego é nossa instância, nosso eu mais próximo. Enxovalham o ego como se ele fosse algo ruim. E não é. Na verdade, nada existe de ruim em nós, pois nossas dores nos levam a aprendizados e, consequentemente, à maturidade pessoal.

Ao longo da vida, nos expondo às situações corriqueiras e arquetípicas comuns a todos (nascimento, espiritualidade, casamento, luto, etc.), vamos forjando uma maturidade que nos faz mudar perspectivas em relação aos temas envolvidos e vamos construindo uma visão individual pela qual nos conduzimos e que nos propicia a menos valia do sofrimento - situação na qual a maioria de nós cai quando lidamos com essas questões arquetípicas.

As terapias nos ajudam a valorar e agilizar os processos nos quais nos envolvemos visando maturidade fundamentada. Isso os livros não fazem.

Imagem Pixabay
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E é nesse momento que a Hipnoterapia estende sua majestosidade, pois, ao trabalharmos num nível extrassensório, propiciado pela prática e acompanhada por pessoas que estão desenvolvendo seu olhar terapêutico profissional a partir da compaixão de que o problema humano básico é simplesmente ser humano, é possível compreender a si mesmo e destrinchar pequenas crenças que, de qualquer modo, serão destrinchadas ao longo da vida, mas de modo moroso.

Não há como aprender isso em livros, pois livros transmitem conhecimentos que somente vivenciados num nível emocional profundo conseguem promover mudanças efetivas.

Isso significa que as pessoas não devem ler livros de autoajuda? Muito pelo contrário. No entanto, os livros de autoajuda poderiam ser utilizados como ferramentas referenciais entendidas como despertadores de que há elementos mais sensíveis que podem ser trabalhados mais eficazmente com a orientação de um profissional.

Para os Hipnoterapeutas é comum lidar com situações emocionais de estresse, fobias, vícios, crenças distorcidas, levando em conta o perfil de cada pessoa que os procuram. Um livro, por sua vez, torna-se uma carta redigida a um público geral que não leva em conta os detalhes que compõem nossa singularidade. Simplesmente porque é impossível fazer isso ao longo de 300 páginas, se muito. 

Tendo isso em mente, os livros sempre são bem-vindos. Mas nunca substituirão o papel de um profissional que está envolvido numa prática como missão de fé pessoal. É desse envolvimento e dedicação do profissional que os resultados positivos e eficazes surgem e a casa de madeira se torna numa casa de ferro capaz de suportar as intempéries da jornada individual, mesmo quando o uso da madeira for necessário.