Hipnoterapia vs Crianças e Adolescentes

09/10/2018

"Lembre-se de que seus filhos não são seus, mas emprestados a você pelo Criador."

Provérbio nativo norte-americano


Assim como quando se busca o auxílio de um terapeuta psicólogo, a Hipnoterapia funciona muito bem para ajudar crianças e adolescentes a desenvolverem seus processos emocionais garantindo o bem-estar tão adequado para a maturidade de todos nós.

Questões relativas a ansiedade, preocupação, temores, insegurança, entre outros, são acolhidos pela criança e pelo adolescente muitas vezes sem a percepção direta de seus tutores.

Trabalhando a partir do lúdico é muito mais fácil que a criança e adolescente mergulhe no próprio universo sanando com fluidez suas questões emergentes garantindo, por sua vez, adequação a seu meio, aproveitamento escolar eficaz, movimento interfamiliar espontaneamente harmônico e fortalecimento das emoções mais básicas, emoções essas responsáveis pelo processo equilibrado da transição em que se encontra a criança - para a fase da adolescência - e o adolescente - para a fase pré-adulta.


A reclamação da mãe era a de que seu filho adolescente estava se tornando agressivo em casa. Após me perguntar se a Hipnoterapia poderia ajudar e eu lhe dizer que sim, desde que seu filho concordasse com a terapia, ela o trouxe. Na terceira sessão nos aprofundamos nos motivos pelos quais ele poderia estar apresentando algum tipo de urgência, de querer as coisas de seu jeito, de falar mais alto com seus pais. Seus olhos ficaram vagos...seu semblante se tornou triste...ele me disse "sabe o que é, tia? É que eu tenho medo de eles me levarem de volta para o abrigo". Ele era adotado.

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)


A Hipnoterapia é um processo benéfico e seguro para crianças e adolescentes, assim como para adultos. E nessa questão é indicado buscar um Hipnoterapeuta confiável no trato profissional e no tratamento com crianças. Desse modo, a busca por Hipnoterapeutas tem aumentado no que diz respeito a sessões hipnoterápicas no atendimento a crianças e adolescentes.


O Conselho Nacional de Hipnoterapia (NCH) relata que seus 1.600 membros reportaram um aumento no número de jovens que estão sendo tratados nos últimos três anos através da Hipnoterapia. A divulgação através do boca a boca, transmitidas de pai para pai, parece ser a principal razão para o aumento no número de clientes infantis e a maioria está lá para problemas relacionados à ansiedade.

[Andrew Newton, Hipnoterapeuta inglês]

Grande parte dos Hipnoterapeutas que trabalham com crianças concordam que elas podem ser hipnotizadas a partir dos três anos de idade, opinião também do Hipnoterapeuta Robert Shacter, da Escola de Medicina Monte Sinai, em New York, USA. No entanto, ainda de acordo com ele, as crianças a partir dos cinco anos de idade respondem melhor ao tratamento hipnoterápico.

Vale lembrar que as crianças têm uma percepção diferente da realidade e baixa capacidade de concentração. Assim, os avanços são conquistados com a apresentação de novas realidades. A ideia é substituir o que fere o inconsciente infantil por novas realidades. É por isso que, no geral, a técnica é usada para maiores de 6 anos. Com essa idade, a criança consegue expressar o que sente, possibilitando o tratamento. Por isso, a técnica Ericksoniana é a mais usada na hipnose com crianças. Nela, o hipnólogo trabalha a imaginação do cliente. Para isso, ele cria metáforas com o intuito de reprogramar pensamentos ruins e que afetam os pacientes.

[Alberto Dell'Isola, professor de Psicologia e Hipnose; Fonte: Alberto Dell'Isola


Na Hipnoterapia a criança aprende a identificar seus momentos de conflito e a acessar com mais facilidade seus próprios recursos. Nas sessões, o Hipnoterapeuta pode lhe ensinar técnicas simples de relaxamento e de bem-estar a serem utilizadas quando ela sentir necessidade.

Âncoras funcionam muito bem com crianças, pois elas têm uma facilidade maior de validar emoções e sinais atrelados a elas. Não à toa, quando são presas de traumas, assim o são exatamente por causa dessas facilidades. E é muito simples trabalhar ressignificação com crianças, pois elas são mais abertas a perdoar partindo não exatamente do perdão como o entendemos, mas do uso da capacidade de interpretação.


A mãe dizia que a criança era muito traquinas e que na escola diziam que a criança era malvada e preguiçosa, pois brigava com seus amiguinhos e não gostava de estudar. Na verdade, era uma criança hiperativa, muito inteligente e impaciente. A Hipnoterapia lhe ajudou a se focar mais no que gostava de fazer e a desenvolver suas habilidades através das atividades escolares, além de tornar-se mais interessada em seus amiguinhos, aproximando-se dos que verdadeiramente gostava e se afastando de alguns que dizia realmente não gostar.

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)

É necessário respeitar a natureza pessoal de cada um, seus gostos e intolerâncias. Cada ser é singular desde o nascimento e nada há que possa ser imputado como obrigação a ninguém. E é possível viver com qualidade interagindo com aquilo que gostamos ao invés de com aquilo que não nos adequamos. É sempre possível fazer acordos conosco mesmos. E a Hipnoterapia respeita os limites pessoais auxiliando qualquer pessoa a ampliá-los ou suavizá-los de forma que não se traduzam em problemas, ou dificuldades.


Uma vez, ela perguntou "pai, por que as pessoas brigam tanto?". O pai não respondeu logo de cara. Depois de insistir na mesma pergunta, o pai, sem muita paciência, disse: "É assim: um tem uma coisa, uma terra por exemplo, e o outro quer também, então todo mundo quer ter terra.". Ela disse: todo mundo quer ser melhor do que o outro, né? Eu não sou assim.".

O pai havia me trazido a gravação da conversa acima. E eu disse a ele "vê como sua filhinha é inteligente?".

Aparentemente, ele não havia percebido, achava apenas que a criança fazia perguntas demais, como se tivesse a clara intenção de irritá-lo.

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)


A criança e alguns adolescentes ainda têm muita facilidade de inclinar-se à própria criatividade a partir da imaginação. E a respeita sem preconceitos. Um pouco diferente dos adultos. Diferente do que alguns podem achar, as crianças não interpretam literalmente os objetos de sua imaginação e sua maturidade emocional tende mais à interpretação das emoções do que propriamente a repetir situações fantasiosas como se elas fossem reais na realidade cotidiana. A criança sabe diferenciar a realidade física da não física. Para tanto, ela aquilata situações, questiona-se, compara e confia em sua própria sabedoria nata.

É importante que o Hipnoterapeuta converse com a criança na presença dos pais compreendendo que ela pode não responder a algumas perguntas exatamente por estar na presença deles. Assim, o trabalho principal é estabelecer o rapport - ou a confiança - em grupo, ou seja, na companhia dos pais e da criança. Depois disso, algumas perguntas - em tons suaves - podem ser feitas à criança.

Infelizmente é mais indicado trabalhar-se com Hipnoterapeutas mulheres quando se trata de sessões hipnoterápicas infantis. Infelizmente porque não é o sexo que define o bom terapeuta. E infelizmente porque é necessário resguardar a intimidade da criança e, para evitar problemas relativos a abusos, os Hipnoterapeutas mulheres são mais indicados do que os profissionais homens em função do histórico de abusos, quando ocorrem, serem realizados por profissionais do sexo masculino. Há exceções, feliz e logicamente. No entanto, essas exceções são averiguadas pelos responsáveis pela criança.

Uma boa forma de analisar a integridade de um Hipnoterapeuta é analisar suas certificações, geralmente em seu site. Junto a isso, avaliações de seus clientes. Outra forma é verificar as reclamações registradas sobre seu trabalho na Internet (o site Reclame Aqui  é de ajuda, bastando digitar "Hipnose" e/ou "Hipnoterapia"). Uma visita à página de Facebook do profissional também é útil no que concerne a analisar o perfil do Hipnoterapeuta a ser escolhido.


Como ocorre o tratamento infantil na Hipnoterapia?

De questões relativas e enurese - novamente, é necessário analisar a idade da criança e sua maturidade pessoal -, medos, traumas, birras, a Hipnoterapia vem se tornando a indicação adequada em função de sua brevidade no trazer soluções.

A Hipnoterapia - para crianças e adolescentes - se diferencia na questão a abordagem. Metáforas e contraposições situacionais comuns ao universo infantil são trazidas de modo simples, respeitando a sensibilidade e maturidade da criança, de modo a permitir-lhe a própria extensão pessoal, fortalecendo seu nível de alcance, enquanto respeita-se sua riqueza pueril.

Nas sessões hipnoterápicas não se tira conclusões apressadas do que diz a criança. Apenas leva-se em consideração suas palavras, seu possível e natural constrangimento e trabalha-se básica e principalmente no relaxamento e no investimento de metáforas de fácil compreensão.

O único toque necessário numa sessão hipnoterápica se resume a um toque na fronte para promover a facilidade do foco e, se muito, um toque leve com a mão na mão ou braço da criança. Nenhum outro toque é necessário.

Não se divide com os pais o que é feito na terapia, não se conta segredos que a criança possa, porventura, ter partilhado com o Hipnoterapeuta. E, se necessário comunicar o histórico da Hipnoterapia, faz-se de modo suave, sem dar ao tutor oportunidade para que ele abra o processo hipnoterápico da criança sem necessidade. É ideal lembrar que o que está sendo buscado é a solução. E isso é responsabilidade do Hipnoterapeuta. E para tanto é desnecessário a ajuda dos tutores no que tange à descrição do processo. É necessário respeitar a criança como se faz a um adulto. Mesmo porque...em essência a criança é um adulto em miniatura.


Parece que os pais, especialmente os pais de classe média com renda disponível, estão mais determinados do que nunca que seus queridinhos devem ter o melhor começo de vida, especialmente porque a pressão para se dar bem na escola não está apenas crescendo, mas começando mais cedo e as colocações nas melhores universidades são mais difíceis de conseguir. Existe o perigo de alguns pais verem a hipnose como um atalho para o sucesso na vida - para crianças muito novas, não é. Sessões privadas podem custar entre 50 e 350 libras.

[Andrew Newton, Hipnoterapeuta inglês]


Infelizmente nem sempre os pais conseguem ou estão dispostos a investir em sessões hipnoterápicas para seus filhos.

No Brasil, cada sessão hipnoterápica costuma variar de R$120,00 a R$4.000 (Outubro/2018), dependendo do profissional, da região e até metodologia empregada.

Por ser uma terapia de resultados breves, o que significa que de quatro a oito sessões é possível verificar resultados eficazes, contrapondo-se a tratamentos terapêuticos tradicionais que costumam demorar de um a três anos para se perceber resultados, o Hipnoterapeuta costuma investir em seu aprendizado a fim de aperfeiçoar-se tecnicamente e também na ampliação das áreas de aplicação. Esse investimento compreende cursos com profissionais nacionais e estrangeiros de diversas áreas (psicoterápicas, neurológicas, médicas, etc.), além da aquisição de materiais (livros, vídeos, etc.) que exigem deslocamentos físicos que, ao final, somando-se tudo isso, demanda no dispêndio de altos valores.

No entanto, exatamente pela brevidade da terapia, é que os valores cobrados não são exatamente preços, mas valores, pois se traduzem não apenas na brevidade dos resultados, mas num conjunto de potenciais pessoais ativados que se expressam em áreas além das pertinentes à questão que leva o tutor a escolher a Hipnoterapia como ferramenta de tratamento.

Por exemplo, uma criança ou adolescente vindo para sessões Hipnoterápica visando o tratamento do aproveitamento escolar, percebe-se mais inclinado ao desenvolvimento de talentos naturais que podem ser utilizados não apenas na escola, mas na melhora da interação familiar e de seu círculo de amigos, no interesse por hobbies que podem ser aplicados em termos até profissionais - no caso de adolescentes - , no aumento de sua autonomia no que tange à tomada de decisões simples, no aumento de seu nível de responsabilidade e de importância pessoal, além do fortalecimento de sua autoestima, na ampliação de sua inclinação amorosa para com seu entorno, etc. - tudo isso são valores que, uma vez despertos e aplicados, geram resultados propícios ao desenvolvimento pessoal de todos, inclusive de crianças e adolescentes.

É sempre bom saber que, uma vez escolhido o profissional Hipnoterapeuta com quem se trabalhará, não é o preço que indica se ele é um bom profissional ou não. Pessoas colocam seus preços de acordo com seus próprios motivos. E todos eles devem ser respeitados. No entanto, buscar um profissional Hipnoterapeuta apenas pelo preço cobrado também não é o indicado.

A ideia não é obter controle sobre a mente da criança, mas ensiná-la o que é mais adequado, apropriado, desejável, de modo que ela tenha controle sobre a própria mente.

[Dra. Sanam Hafeez, Psicóloga e Hipnoterapeuta]

Centrado principalmente em trabalhos desenvolvidos por pesquisadores e práticos - como Daniel P. Kohen, MD, professor do Departamento de Pediatria e Medicina Familiar da Universidade de Minnesota/USA e atuando como Hipnoterapeuta especializado em crianças e adolescentes -, o trabalho do Hipnoterapeuta acompanha pesquisas feitas principalmente em alguns países europeus, como a Alemanha, no que concerne ao desenvolvimento das técnicas hipnoterápicas a serem utilizadas no tratamento de crianças e adolescentes. Daniel P.Kohen trabalha diretamente cm o Kindertagung, The Child Hypnosis Congress, o maior congresso mundial em hipnose para crianças, fundado em 1990 em Rottweil, Alemanha, idealizado por Bernhard Trenkle, diretor do Instituto Milton Erickson de Rottweil, Alemanha.

Autor de "Hypnosis and Hypnotherapy With Children" (Hipnose e Hipnoterapia com Crianças), com Karen Olness, Daniel P. Kohen consegue fundamentar muito bem o trabalho da Hipnoterapia com crianças quando diz:

Em nosso trabalho terapêutico, reconhecemos que não estamos tratando problemas, estamos tratando e auxiliando crianças que têm problemas. Não importa quão severos os problemas de nossos clientes/pacientes infantis, nós nos inclinamos à sua avidez pela experiência, pela independência, pela interação social, pelo mundo interior da imaginação e pelo bem-estar. Assim, ganhamos um aliado nessa parte da criança que deseja experienciar a vida em sua plenitude e essa aliança forma a base do tratamento.

É importante perceber que a Hipnoterapia não muda as características de ninguém. Apenas evoca as características positivas, ajudando-a a formar a si mesmas, respeitando suas inclinações, ajudando-a a escolher o que é melhor para ela.

Com a duração de 30 minutos a 2 horas, as sessões Hipnoterápicas são geralmente realizadas semanalmente - uma a cada semana.

Em alguns casos, o Hipnoterapeuta pode gravar um áudio de relaxamento para que a criança, ou adolescente, escute em casa.


O que pode ser trabalhado na Hipnoterapia no que tange à infância e adolescência?

Depressão

Timidez

Dificuldades escolares

Distúrbios alimentares (comer demais ou não desejar comer)

Obesidade

Ansiedade

Alterações bruscas e constantes de humor

Tendências para o isolamento

Falta de motivação

Agressividade

Preocupação excessiva com a própria aparência

Enurese

Dislexia

Desordens alérgicas psicossomáticas

Distúrbios do sono (dificuldades para dormir, ocorrência de pesadelos, etc.)

Dores cujas causas não são encontradas através de exames médicos alopáticos

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)

Transtorno bipolar ou maníaco-depressivo

Síndrome de Tourette

Transtorno de estresse pós-traumático (TSPT)

Processos de luto


Muitas vezes o Hipnoterapeuta ajuda o tutor a perceber a mudança ocorrida na vida da criança/adolescente fazendo perguntas pontuais sobre as questões que o levaram a busca a Hipnoterapia como ferramenta de solução. E a partir daí amplia sua atuação - de modo sutil - interagindo com a criança a fim de incliná-la à curiosidade e vontade de mostrar a si mesma seus próprios ganhos, obtidos com o auxílio da Hipnoterapia.

A Hipnoterapia é um procedimento sério. Ao mesmo tempo, prazeroso, lúdico, que gera resultados perceptíveis e permanentes. E assim como adultos se beneficiam dela de modo eficaz. O mesmo ocorre com as crianças. Senão mais.