Hipnoterapia vs Felicidade Pessoal

04/10/2018

"Infelicidade é uma questão de prefixo." 

[Guimarães Rosa]

A Hipnoterapia - hipnose numa base terápica - é para quem de fato acredita que em sua própria mente reside uma instância pessoal mais profunda e que, por isso, mentalmente podemos cuidar das questões pessoais de modo breve. Desafiadora, ela se compromete a acreditar - sabendo que tudo o que vivemos é uma questão de crença - no que vai contra a cultura oficial, engessada. E, talvez, por isso ela consiga resultados surpreendentes. 

Fazendo uso do relaxamento - como técnica indutora da permissão das chamadas sugestões - é possível escutar a si mesmo num nível aprofundado e, consequentemente, respeitar-se e àquilo para o qual nos programamos. Portanto, crença é programação repetida. E assim a Hipnoterapia esculpe outras crenças que nos levam a obter resultados fora da programação da maioria. 

Quer queiramos ou não admitir isso, todos nós já vivemos segundo uma programação pessoal - seja influenciados pela sociedade, pelos programas de televisão, de rádio ou até mesmo pela internet que mais e mais nos direciona - seguindo padrões de preferências pessoais - para aquilo que gostamos. E se o que gostamos - e recebemos quando ligamos a televisão, o rádio ou ao acessar a internet - já faz parte de uma programação anterior, logicamente que, para conseguirmos atingir nossos resultados, é necessário reprogramarmos algumas das preferências distorcidas que nos levam a ter resultados indesejados em nossa vida.


Terapia = palavra vinda do grego (Therapeia) que significa 'o ato de curar, reestabelecer'.

De certa forma, todos nós já vivemos em terapia, pois a vida em si já nos ensina durante o curso de nossa existência terrena.

A questão é que esses ensinamentos podem ocorrer de maneira suave, nos conduzindo à autoestima, sentido de autovalor ou esses ensinamentos podem ocorrer de modo disperso e muitas vezes amargo fazendo com que ao longo do caminho comecemos a coletar e acumular dores e problemas até de ordem física.

Assim como optamos por cuidar do corpo físico em nossas idas a cabeleireiros, manicures, etc., o ideal seria que também nos interessássemos pela saúde da mente, pois...mente adoece. E, o pior, só percebemos quando a doença já está instalada.

Mente adoece quando nos inclinamos para o sofrimento, a vitimização, a raiva, a agressividade exacerbada, o mal-estar quase que contínuo, fazendo com que ao invés de vivermos de modo pleno, acabamos nos arrastando empurrando nossos anseios, criatividade, sonhos e desejos para um abismo do qual é essencial sair.

Junto com o adoecimento da mente coletamos problemas de ordem física como vícios, obesidade, dores, além dos problemas de ordem emocional como estresse, ansiedade, fobias, depressão, etc.

O que é ter uma mente saudável? É optar por si mesmo. E optar por si mesmo não significa manter comportamentos que excluam o outro. Entender que o outro é nossa fonte mais próxima de bem-estar à medida em que partilhamos nossas experiências e que o outro atua como fonte de oportunidades, pois nada se faz sozinho nessa vida, é essencial para darmos asas a nossos talentos e, consequentemente, termos uma vida de contentamento conosco mesmos.

Ele iniciou as sessões hipnoterápicas para livrar-se de uma situação incomoda de luto. Resolvida a questão, após dois meses de sessões, resolveu dar continuidade, pois reconhece que não tem problemas, ele se considera uma pessoa resolvida emocional e socialmente. No entanto gostaria de dedicar a si mesmo uma hora por semana para relaxar. Diz que não tem criatividade ou disposição para criar roteiros que lhe mostrem cenários como sua hipnoterapeuta consegue fazer. Assim, semanalmente, há quatro meses, reserva uma hora em sua agenda para deitar-se na cadeira de hipnoterapia e ter suas emoções e pensamentos reorganizados. Diz que seus dias ficaram mais produtivos, percebe-se mais criativo e feliz. Só se lamenta, se muito, não ter buscado a Hipnoterapia antes.

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)

Habituados a acreditar que felicidade é situação impossível, muitos de nós nos condenamos a vidas miseráveis sem nem mesmo sabermos como sermos felizes quando nosso envolvimento com a vida nos promove condições adequadas para a felicidade. Julgamos felicidade como um fim, um objetivo alcançado, um pendurar as chuteiras...

Não à toa muitas pessoas que aparentemente possuem tudo o que é necessário para se considerarem felizes acabam enfrentando questões delicadas que lhes impedem de vivenciar as benesses das quais são cercadas.


Propósito, ou Missão de vida pessoal

É comum buscarmos o propósito ou missão de vida pessoal dizendo "não sei para o quê estou aqui nessa vida". Ora, você está vivendo. E há missão, ou propósito, mais nobre do que esse? 

Pouco comum é entendermos que nosso propósito, ou missão de vida, pode ser apenas isso, viver. E viver de modo pleno, equilibrado, fazendo mudanças - quando as desejamos ver no mundo - em nosso entorno.

Podemos escolher sermos solteiros, celibatários, casados, pais, amigos, empresários, monges...não importa o que escolhemos. O importante é que sejamos fiéis ao que escolhemos, encontrando nosso sentido de vida no que somos. Pois, mais que fazer, é importante sentirmos que somos parte de um processo de vida frutífero, cada um interessado em algo que possui um efeito válido na engrenagem como um todo.

Ter consciência de que, quando acordamos e nos lançamos a nossos objetivos, já nos faz fazer parte da construção do mundo e do movimento sociocultural e econômico global é o suficiente para nossa autovalorização e felicidade pessoal-coletiva. Não fazemos o coletivo intencionalmente. Fazemos o individual. E o coletivo se torna uma expressão, um reflexo, das várias individualidades. 

Felicidade é possível e existem muitas pessoas que, acreditando no que muitos insistem teimosamente em nominar de utopia, buscam qualidade de vida mental, emocional e, lógica e consequentemente, comportamental. Pessoas que são felizes partem da ideia do "quem disse que felicidade é impossível? Quem disse que tem que ser assim? Quem me condenou à infelicidade?". E daí passam ao exercício da felicidade.

Assim, várias técnicas e ferramentas, quando utilizadas, contribuem para a expansão pessoal e consequente criação da felicidade que, sim, é possível e está a nosso alcance. Afinal, vivemos buscando pelo quê senão pela felicidade? E enquanto buscamos, continuamos buscando. Mas, enquanto partimos da noção de que já a estamos vivenciando, é isso o que passamos a fazer. 

Cuidar dos pensamentos, reorganizar as emoções e ajustar os parâmetros pessoais é importante para a qualidade de vida que promove essa felicidade tão sonhada.

Felicidade se traduz em amor próprio, cuidados consigo mesmo, organização financeira, disciplina suave e prazerosa para as atividades corriqueiras, compreensão para com o próximo a fim de ter relacionamentos saudáveis e autorrespeito. E uma série de outras condições marcadas pela individualidade. 

Logicamente há momentos em nossa jornada pessoal que são mais complexos do que outros, afinal todos estamos vulneráveis às mudanças, às partidas, às incompreensões, às situações que não saem exatamente como desejamos. No entanto, para aqueles que se cuidam numa base regular é bem mais confortável lidar com eles. A experiência mostra isso.

Assim como uma vida infeliz, uma vida feliz também é um aprendizado. Vale a pena falar mais disso e apostar na exploração e decisão de uma vida feliz. Difícil é aquilo que não tentamos. Difícil é aquilo em que não insistimos. Pois, já diz o ditado, não existem fracassados, existem os que desistem. E, sim, para os que não conseguem sustentar esse tipo de pensamento, essa perspectiva, essa visão pessoal, é difícil. Mas... o que não é difícil? Mais: o que é dificuldade?

Se entendemos que, quando estamos envolvidos numa empreitada, nesse caso a felicidade, estamos também trabalhando com vários elementos pessoais que contribuem para nossa maturidade e afirmação, dificuldade não é exatamente o que a maioria de nós pensa que é. Dificuldade passa a ser empreendimento, expansão e resultado. Positivo.

Quando você está triste, você está triste. Quando você está feliz, você está feliz. Isso significa que você está no estado escolhido. Quanto mais permanece, mais nele se percebe.

Logicamente que quando trabalhamos em nossas questões de modo detalhado, à parte, especificamente, estamos trabalhando com felicidade. No entanto, aqui estamos falando de felicidade num contexto geral.

E como se trabalha felicidade a partir da Hipnoterapia?

O trabalho da Hipnoterapia, quando voltado para a felicidade, se desenvolve a partir da observação dos sentimentos e das atitudes. Em torno dessa observância, a análise da situação individual e da criatividade pessoal. Daí o trabalho da maturidade ajustada. Entendemos que maturidade vem da senilidade biológica, mas...não. Se fosse assim todos os senis poderiam dizerem-se felizes. E não é o que ocorre. Nesse caso somos mais propensos a vermos crianças felizes do que senis felizes. Daí podemos supor que maturidade e conceito de felicidade implicam em termos desejos, sonhos, planos a serem realizados. E não há idade para tal.

Durante o processo hipnoterápico visando felicidade de modo geral, estamos trabalhando a maturidade pessoal. E nesse quesito entram a avaliação de crenças, hábitos/vícios, dúvidas e adequação. Isso porque somos seres em constante estado de vir-a-ser. Ou seja, felicidade não significa passividade, ostracismo, alienação. Continuamos a fazer parte da engrenagem que move o mundo...não, não...o mundo não. O Universo.

É possível utilizar a Hipnoterapia no modo auto-hipnose para que a felicidade seja uma constante em nossa vida? Logicamente. Pois, como dito inicialmente, "Hipnoterapia - hipnose numa base terápica - é para quem de fato acredita que em sua própria mente reside uma instância pessoal mais profunda e que, por isso, mentalmente podemos cuidar das questões pessoais de modo breve."