Os clientes anônimos da Hipnoterapia

07/02/2018

Já diz um ditado, 'na mão de desavisados, tal ferramenta é lixo; na mão de reis, ferramenta de poder'.


Infelizmente a maioria dos meios de comunicação ainda exibe a Hipnose como espetáculo de palco denegrindo, junto com isso, o conceito da hipnose utilizada como terapia. Por que isso ocorre? Primeiro porque nos sentimos atraídos por aquilo que constrange nossas vulnerabilidades. Essa atração pelo que, de certo modo, acaba ativando a morbidez faz com que conheçamos bem pouco sobre nossos potenciais mais positivos e proporciona a atenção que esses meios de comunicação buscam.


Quando dizemos, em termos metafísicos principalmente, que criamos nossa realidade, não entendemos como fazemos isso. E esse é um dos meios pelos quais criamos nossos circos de horrores.

Se utilizada com seriedade, a Hipnoterapia potencializa nossos recursos, nos faz mais equilibrados, serenos, dinâmicos, entusiasmados, bem sucedidos, autoconhecedores de nossos próprios recursos, dos quais vivemos abundantemente cercados.

Assim como dificilmente vemos pessoas alardeando que foram a um médico alopata ou até mesmo a um homeopata, também não encontramos pessoas dizendo que estão se encontrando com um Hipnoterapeuta. Primeiro porque têm medo de ser julgadas por seus conhecidos, pois interiormente presumem que serão negativamente julgadas, já que sabem que seus colegas também não entendem muita coisa sobre a Hipnoterapia como elas mesmas não entendiam um dia. Segundo por causa da expressão da própria vulnerabilidade, que ainda consideram negativa.

Entendida como fraqueza, instabilidade, fragilidade, destrutibilidade, conceituamos a vulnerabilidade como algo a ser evitado e não trabalhado. E é exatamente quando trabalhamos nossa vulnerabilidade que conseguimos tirar dela a confiança, que entendemos como seu contrário. E não é. Se temos a capacidade de sermos vulneráveis é porque temos também a capacidade de sermos confiantes. Ambas as condições fazem parte de um mesmo espectro de posicionamento pessoal interior.

Assim, dificilmente as pessoas que fazem Hipnoterapia dizem que o fazem. E quando se prestam a algum depoimento sobre a eficácia de seu tratamento, buscam manter o anonimato.

Verdade é que as pessoas ainda respondem a seus mitos, suas programações preconcebidas sobre a Hipnoterapia. E não atinam com isso conscientemente.

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

Os clientes de Hipnoterapia são pessoas comprometidas com seu desenvolvimento pessoal, espalham-se pelas diversas categorias profissionais que compomos socialmente, buscam soluções para questões sobre as quais momentaneamente perderam o controle, desejam ardentemente manifestar na realidade física o que consideram possível na realidade mental. 

Atendendo a uma média de três clientes por dia e, respeitando a ética que deve ser sempre a pauta principal de qualquer atendimento, não costumo pedir que meus clientes divulguem seus resultados (sempre positivos, aliás) obtidos através da Hipnoterapia. Então, quando surge um depoimento como esse, gostamos de levá-lo às pessoas, para que elas percebam como a Hipnoterapia pode ser favorável à solução de diversos tipos de desequilíbrio - comuns a todos nós.

"Procurei a hipnose porque estava com problemas no casamento. Comecei a ter depressão, tinha medo de tudo e muita ansiedade, mas não queria tomar medicamentos controlados. Em um curso, conheci um hipnólogo e apostei todas as fichas na técnica. Fiz 15 sessões, e minha vida mudou. Não salvei o casamento, pois não dependia apenas de mim. Mas mudei minha vida profissional e me livrei de todos os medos. Não podia ver aranha que tinha fobia. Hoje já consigo, e, se precisar matar a aranha, até mato. Fiz a técnica do balão gástrico hipnótico e consegui emagrecer 30 kg associando a hipnose com o coaching. Faço sessões de manutenção e, como passei por um problema muito grave recentemente - perdi um bebê e, em seguida, tive uma trombose -, assim que eu for liberada pelo médico vou voltar a fazer outras sessões. Todo o processo da hipnose me trouxe muitas mudanças, até para saber lidar com todas essas situações. Sou adepta da meditação e da auto-hipnose até hoje".

Graziela Chiquim, 37 anos
Dentista - Curitiba (PR)


Felizmente, nossa "Alexandria do século 21", a Internet, possui muitas informações positivas - e também negativas - a respeito praticamente de tudo o que desejamos saber. No entanto, como selecionar essas informações?

Utilizando nosso bom senso e fazendo perguntas quando ainda sentimos que precisamos delas.

Você iria a um médico que também é dono de um supermercado? Ou a um cabeleireiro que também trabalha com gastronomia?

Ora, ora, não há nada de errado em ter mais que uma atividade, mas a que atividade esse médico, ou dono de supermercado (?), mais se dedica? A que atividade esse cabeleireiro, ou gastrônomo (?), se dedica mais?

O profissional que mais se dedica a seu ofício, logicamente, obterá melhores resultados.

E esse é um dos problemas atuais. Pessoas fazendo cursos de um final de semana e saindo dali acreditando que podem ajudar as demais a resolver problemas complexos, que se tornam mais complexos ainda conforme vamos nos submetendo a uma era tecnológica onde surgem diversas outras compreensões e formas de autoexpressão (pois nossas questões mais básicas estão relacionadas exatamente à expressão de quem somos).

Ou pessoas que, atirando para todos os lados, estão envolvidas em várias atividades que, principalmente, não possuem ligação umas com as outras.

Nosso bom senso sempre nos ajuda a escolher o profissional que está mais capacitado a nos atender a partir dos questionamentos que fazemos. Não se prive de fazê-los. Mesmo porque essas pessoas nem sabem que não estão comprometidas profundamente com o que dizer estar comprometidas.

E não tema falar a respeito das novas terapias a que temos acesso. Mesmo que para isso você tenha que manter seu anonimato. Já é um bom começo trabalharmos ativamente na divulgação do que funciona - e também do que não funciona. Esse é um dos modos pelos quais criamos a realidade que dizemos desejar.

Controlar o consumo de açúcar era um problema para a arquiteta Letícia Serrano, 31. "Na minha cabeça, era impossível viver sem doce", conta. Depois de tentar várias dietas, resolveu seguir o conselho de uma amiga e procurou a terapia por hipnose. "Uma amiga me indicou. No começo não acreditei muito na eficiência do processo, mas, indo às sessões, fui percebendo os efeitos positivos". Hoje, 15 kg mais magra, a arquiteta afirma ter muito mais autocontrole na hora de comer.


Fonte: O tempo, Saúde e Ciência, Jan./2017