Realidade Programada

28/04/2020

Não estamos prontos para a realidade. Ou a achamos feia, insossa, difícil, ou a consideramos boa em demasia e, por isso, a transformamos numa montanha cujo pico sempre será inacessível. 

Vivendo a própria vida é que nos acostumamos - ou assim deveria - com o que realidade é. Pessoal. 

Realidade é pessoal e implica em escolhas voltadas para o próprio bem-estar. Eis a dificuldade, posto que somos treinados - implicitamente - a buscar o bem-estar alheio numa jornada de auto sacrifício e, quando obtemos a percepção de que não é possível sermos felizes se não o formos primeiro, deixando o outro fora da equação no sentido de primeiro cuidarmos de nós para depois termos condições de cuidar do doutro, a própria sanidade se torna mais possível.

Por mais que entremos em confabulações filosóficas sobre a natureza da realidade - necessárias, mas de pouca utilidade prática se não refletimos correlacionando dados a fim de buscar a integridade pessoal nos questionando sobre o uso de nossas crenças versus a qualidade de nossa vida -, o vivenciar nosso próprios alcances, possibilidades e condições é o que de fato torna prático o uso das confabulações.

Somos cercados de recursos e é no íntimo de nós mesmos que reconhecemos nossas habilidades e nos inclinamos para criar nossa história sabendo-a original, por mais similares os atos quando comparamos nossa jornada com a de qualquer outro.

Por mais que vivamos numa sociedade que analisa valores, somos nós mesmos os produtores de nossos valores e todos eles têm sua própria estrutura.

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

Entender que cada um de nós contribui - a seu próprio modo - com uma realidade coletiva que se expande a partir de si mesma, enquanto as individuações se expandem, nos ajuda a valorar a exuberância de uma existência repleta de movimentos, cores e significados. É nessa observância que damos à luz o fruto de quem somos.

Impossível existir vida plena construtiva se não abraçamos o coletivo como ele é, tendo-o como perfeito em si mesmo. 

Expressões da primeira célula que se desdobra em dois, três, oito bilhões e muito mais, somos sozinhos e não estamos sós. Ao ter noção do grupo que representamos e compomos, podemos nos abrir para nossas possibilidades contando com nossas melhores emoções. Afinal, como construir algo do qual nos agradamos se não estamos em paz com nossas emoções?

Então sim, realidade é pessoal e, por isso, tudo é permitido, pois possível, já que existe por si . Aquilatar a expressão de nossa realidade pessoal promove maior compreensão sobre a realidade em sua natureza mais básica. Isto é, realidade é possibilidade.  

Conforme vamos nos dando liberdade de analisar e tecer elementos condizentes relativos à realidade, também podemos nos dar a liberdade de criar possibilidades - tirando da equação o (chamado) tempo como limitador de nossas criações - e usamos melhor os nossos recursos para ampliarmos nossos alcances. 

E que recursos poderiam ser esses? Os relativos ao uso de nossas capacidade mentais, principalmente e por exemplo. A reprogramação está relacionada a isso

Reprogramação não tem a ver com substituirmos um pensamento por outro, mas por lapidar um pensamento, fazer uso de seu peso e transmutá-lo - seguindo os padrões mentais que já utilizamos - naquele em que queremos. 

Fosse a reprogramação uma série de repetições sem significados emocionais e/ou lógicos e todos nos reprogramaríamos com a rapidez que desejamos. 

Reconhecermos que já somos programados - por padrões emocionais e socioculturais - nos ajuda a formular outras programações e, consequentemente, nos coloca. 

Seguir um passo a passo na colocação e trabalho desse acontecer é o que nos garante de fato a mudança. Sutil. 

Toda mudança é sutil. Cabe a quem trabalha em sua própria programação de modo deliberado - posto que todos já trabalhamos na programação existente - observar as próprias mudanças a fim de tê-las de modo enfático e, a partir disso, continuar trabalhando, ampliando, percepcionando. 

Além da inclinação emocional, interesse pessoal, voltado para saúde, amor e dinheiro, o que mais há? 

A Hipnose - reconhecida mundialmente como a melhor ferramenta para a reprogramação mental, emocional e consequentemente física - possui a prerrogativa, reclamada pela criatividade do Hipnoterapeuta, de motivar a ousadia e direcionamento de quem se utiliza desse recurso para alcançar o que se deseja. 

Domenico de Masi, Foto: Terceiro
Domenico de Masi, Foto: Terceiro

Domenico de Masi, sociólogo italiano, diz que "Com mais pessoas tendo tempo livre, o desafio será saber o que fazer com ele". E isso é uma realidade também em termos de utilização de recursos que, quando aproveitados, nos abrem para a percepção de que somos nós que criamos nossa realidade e que podemos fazer o que desejamos...agora, a questão é: o que? 

A própria limitação, dificuldade de responder, é uma programação. Assim, inicialmente toda terapia voltada para a reprogramação deve levar em consideração essa inclinação pessoal a fim de colher bons resultados de um trabalho que, levado a sério, nos garante a percepção ajuizada do que é a realidade...pessoal e programada. Ponto.