Sonhos vs Hipnoterapia

18/12/2018

Ter um diário onde anotamos o que sonhamos nos leva ao hábito de nos lembrar mais de nossos sonhos, pois, assim como fazemos coisas durante nossos dias em vigília, também fazemos coisas no chamado plano de sonhos. A riqueza desse hábito é de valor inestimável. 


Gosto de entender sonhos como "estar em contato com nossas instâncias mais profundas". Nessas instâncias, nossas respostas. Movimentos emocionais que nosso cérebro transforma em imagens/cenas/situações passiveis de leitura.


Sonhamos porque pensamos. 

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)


Quando começamos a nos dedicar a lembrarmo-nos de nossos sonhos descobrimos que é verdadeiro o que nos dizem, ou seja, temos todas as respostas para as quais fazemos perguntas.

Permita-me trabalhar com um exemplo: você viveu seu dia em seu ambiente doméstico ou de trabalho. Você interagiu com pessoas. Você pensou e sentiu cenas, situações, sensações.

Quando seu corpo físico dorme, todo esse material vem à tona, como impulsos neurais que buscam repouso e, portanto, processamento num nível mais sereno, o do sono.

A partir desse processamento, você está se dando respostas, organizando material emocional e psíquico. E quando você acorda, está pronto - ou quase pronto - a dar passos firmes no desenvolvimento de quem você é através da solução de problemas com os quais você está envolvido.

A maioria de nós tem dificuldade em interpretar sonhos porque ao invés de lermos sonhos, desejamos interpretar à guisa de símbolos estabelecidos.

Entendemos e até defendemos que somos seres singulares e que singular, portanto, é nossa história pessoal. No entanto, ao lermos ou interpretarmos sonhos, preferimos ignorar o enunciado defendido de que somos únicos e insistimos em que nos sonhos somos seres iguais. Ou seja, seres que têm sonhos com a mesma simbologia que os demais dão às suas próprias experiências oníricas.

Não nos questionando a esse respeito, desrespeitamos o que dizemos a nós em relação à singularidade mantida em vigília.

Felizmente, e essa é a constatação de quem trabalha seus sonhos, lendo-os ao invés de interpretá-los de modo parco, limitado, é possível entender que, quando nosso corpo físico descansa - damos o nome de dormir a esse fato - percebemos e exploramos instâncias tão profundas de nós mesmos que quando o cérebro não dá conta de traduzir tanta estranheza (à falta de melhor vocábulo), ele forma histórias que percebemos em nossos momentos de vigília e a leitura ou interpretação dessas histórias - nosso tecido de vida onírica - nos dá mais material de autoconhecimento e, momento virá e vem, em que entendemos que sonhos nos mostram como a vida é cíclica.

Aprendemos a ler a vida, cada qual a seu jeito e validamente, e temos que fazer o mesmo com os chamados sonhos. Aprender a lê-los e, consequentemente, a ler-nos. E assim como podemos interpretar um texto de diversas formas, também podemos ter diversas leituras, ou interpretações, para nossos sonhos e - novamente -, consequentemente, para nós mesmos.

Quando atendo um cliente tenho por hábito perguntar-lhe sobre sonhos e é muito comum que ele comece a se lembrar mais de suas experiências oníricas quando começa a Hipnoterapia, pois a prática dessa terapia nos coloca mais em contato com nossas partes mais profundas.

Tenho uma cliente que costuma me dizer: "Lú, acontece um fato engraçado. Eu não me lembro de meus sonhos durante a semana. Mas, um ou dois dias antes de nossa sessão, tenho sonhos dos quais me lembro.".

E começamos a trabalhar a leitura das experiencias oníricas interpretando-as de acordo com suas dificuldade e de como saná-las, ou seja, a partir do que ela vê ou do que os sonhos lhe mostram.

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)

Com o tempo, meus clientes também começam a fazer leituras de suas próprias experiencias oníricas a partir da forma como leio. E criam, inclusive, suas próprias formas. E, quando isso ocorre, mais que metade do caminho está feito a fim de que eles compreendam que não há um ponto final para a história humana, que tudo está se formando tempo todo.


Sonhos recorrentes estão trazendo à tona - de modo alarmante até - indicação de comportamentos que estamos prontos a mudar. 

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta)


Somos um gigantesco processo em formação. E quando nos damos conta disso está na hora de utilizarmos nossos recursos para sermos bem sucedidos nas questões de ordem física, emocional, mental e material. E nossas experiencias oníricas são uma mão na roda nisso. Pois através do que chamamos de sonhos desenvolvemos a nós mesmos.

Evitar de ler/interpretar sonhos apenas como imagens fixas/rígidas é importante a fim de destrincharmos essa parte existente de nós à qual damos pouca, se alguma, atenção.


Pesadelos são indicadores de comportamentos/pensamentos/sentimentos que são danosos para nós. 

(Luciene Lima, Hipnoterapeuta) 


O ideal, na verdade, é que percebamos que enquanto dormimos/sonhamos, continuamos a nos construir. Ou seja, estamos vivenciando um outro processo de nós mesmos, a partir de uma parte de nós, que faz parte de quem somos, embora não percebamos ou não validemos com o tal. Uma vez percebido e validado, ou apenas validado a fim de construirmos uma realidade física pessoal mais rica, não há pés que nos segurem, apenas asas que nos alçam. Pois, sim, em nós/conosco nossas respostas.